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Novo Pacto Partidário

NOVO PACTO PARTIDÁRIO

 

Miguel Angelo Prietto dos Santos (Advogado Administrador e Pós-Graduado em Marketing).

 

No nosso Partido Democrático Trabalhista, como em qualquer partido político, o perfil dos dirigentes deve ser o de servir a todas as instâncias partidárias, conseqüentemente a todos os companheiros que comungam dos mesmos ideais. Se assim não for, sinceramente, não existem razões de estarmos reunidos, por mais forte, por mais vibrante e por mais belo que seja o nosso ideário. Nossas relações tornar-se-ão se já não se tornaram hipócritas e desprovidas da essência da doutrina trabalhista. Democracia e Trabalhismo estão na mesma esteira de idéias e ações. E o autoritarismo, a arrogância, a soberba e a mórbida presunção de poder sobre os demais companheiros, são negações da Democracia. Estaremos em qualquer ambiente, menos em um ambiente trabalhista. Por isso, e muito mais, não vamos dissimular a nós mesmos. No partido que queremos, a supremacia do poder pertence às bases e não às cúpulas. Se somos trabalhistas, conseqüentemente temos à Democracia como companheira inseparável. Ela é a fonte onde buscamos a força necessária para o exercício da cidadania e da singular missão do Trabalhismo. 

 

Não é nosso propósito detalhar diagnósticos, análises e técnicas de relacionamentos. A nossa intenção fundamental é suscitar os companheiros a uma reflexão sobre estas questões entre nós. É contribuir para a formação de um novo pacto partidário, de uma vontade coletiva e de um consenso, esclarecidos pela visão da grandiosa missão que o Trabalhismo tem para com o Brasil e para com os nossos irmãos brasileiros. Vamos conjugar os nossos esforços para que todos estejamos unidos neste caminho, pois fracionados estaremos em posição de grande vulnerabilidade aos inimigos do Trabalhismo.  A união será a nossa força. Urge, portanto, o exercício de um relacionamento vigoroso, respeitoso, fraterno, transparente e alicerçado no nosso histórico companheirismo e na solidariedade humana que sempre existiu no nosso meio.

 

Neste contexto, cabe realçar o nosso maior dever e o nosso maior direito, que é o de participar. Não somente nas épocas de eleições buscando votos, mas, sobretudo, em todas as épocas, em todos os momentos da vida partidária. Participar das discussões, das decisões e das atividades organizacionais e políticas. Entretanto, para tal desiderato, mister que os interesses maiores do Trabalhismo e do coletivo se sobreponham aos interesses individuais. Estes, quando reinantes, quase sempre cometem o crime da falsidade, do totalitarismo e da tirania contra àqueles, subjugando as grandes idéias e as grandes ações. Aqui cabe lembrar se configura um outro dever de cada um de nós, que é o de combater, sem tréguas, as tentativas de prostituir a ética e a alma trabalhista. Temos que reconhecer que a tarefa muitas vezes não é fácil. Ainda assim, é preferível o resultado não desejado do que a vergonha de não ter tentado. Quiçá a própria morte do que a traição a nós mesmos. Esta é a índole do nosso pensamento. Eliminar dentre nós todos os aspectos negativos e mesquinhos.

 

O problema não é dependente de solução oriunda apenas de vias derivadas de métodos de modernização administrativa, organizacional ou política. Precede a tal plano. A ação incipiente deve ser o estabelecimento de um novo pacto partidário entre nós. Principalmente da parte daqueles cujos conceitos de humildade estão muito aquém do mínimo tolerado nas relações humanas. Há de se invocar o exercício da liberdade, da igualdade e da fraternidade. Os companheiros mais simples ou mais humildes não são súditos. Muito pelo contrario. São eles na quase totalidade das vezes que carregam e tocam o piano, enquanto os “graúdos” ou os “medalhões” são aplaudidos e levam consigo todos os frutos das ações, dos sucessos e das vitórias, esquecendo que todos somos filhos do mesmo ventre trabalhista. Há de se eliminar este descompasso comportamental, absurdo e injusto, arraigado na discriminação muitas vezes existente entre nós e numa estrutura organizacional que privilegia os “comitês de notáveis”.

 

Não podemos mais admitir a existência de egoísmos, de individualismos, nem de corrupção ideológica, variáveis que afetaram recentemente a nossa unidade.

 

É necessário conscientização, respeito ao próximo e boa vontade. Mais do que nunca precisamos uns dos outros. Não sobreviveremos se agirmos com arrogância, sectarismo e discriminação.

 

Asseguramos e afirmamos com total convicção, de que no Trabalhismo todos somos importantes. E não poderia ser diferente. Ainda assim é preciso, por igual, persuadir e estender esta convicção ao dia a dia de todos os companheiros. Afinal, somos um partido de massas. Ou não somos? O êxito desta nova etapa depende de nós. Quem insistir em pensar de outra maneira haverá de tomar conhecimento desta verdade e se retirar dos nossos quadros.

 

Companheiros do PDT, vamos nos motivar ao estudo, a educação e a formação política. Vamos disseminar a nossa cultura política em todos os segmentos das classes populares. Vamos criar um plano de marketing onde a nossa gloriosa ideologia trabalhista possa penetrar em todos os lares brasileiros, por mais humilde que seja. Vamos criar uma imprensa partidária correspondente aos interesses maiores das grandes massas em contraposição à informação veiculada pela imprensa dominante. Vamos operacionalizar uma intensa atividade política, permanente, que transcenda os períodos eleitorais. Enfim, vamos fazer do nosso PDT a nossa grande escola de vida, a nossa própria casa, a razão da nossa ideologia trabalhista.

 

Neste sentido, é necessário que o ambiente partidário seja altamente propício a nossa atuação. Os recursos e os instrumentos indispensáveis à execução das nossas atividades partidárias, além de estarem a nossa inteira disposição, devem ser de fácil entendimento e de fácil operacionalização. Há de existir dentro do PDT, uma perfeita harmonia de pessoas, métodos, técnicas e sistemas, visando atingir os objetivos do Trabalhismo. Os nossos projetos devem possuir estratégias bem definas e objetivos claramente estabelecidos. Eles devem invocar o espírito de equipe, pois no mundo trabalhista ninguém conseguirá fazer nada sozinho. Cada companheiro envolvido deverá ser valorizado e reconhecido como importante. Deverá ter a visão singular da situação do momento e a do todo. Deverá conhecer com profundidade a missão do Trabalhismo, suas metas, seus objetivos e as suas estratégias.

 

O foco central da nossa ação será o convencimento das pessoas. Não importa o seu nível social ou econômico, se é empregado ou empresário. Antes de convencer, deveremos estar convencidos de que as soluções para o Brasil estão alicerçadas no Trabalhismo. Somente ele é capaz de sacudir o nosso país e viabilizar os seus grandes objetivos de desenvolvimento e de progresso, privilegiando a todos, sem restrições. Precisamos trabalhar a paixão coletiva em torno da nossa bandeira. Aqui está a condição essencial para o sucesso do Trabalhismo.

 

Entretanto, é necessário vencer o conformismo que acorrenta o nosso futuro. O nosso sucesso não acontecerá por acaso. A idéia de que planejar significa adivinhar e prever o futuro é contrária à razão e ao bom senso. Não podemos mais esperar para que isto aconteça. É preciso ganhar todo o tempo do mundo, pois ele influi de maneira preponderante. Não vamos cometer o erro de prever o futuro. Vamos, sim, cometer o acerto de construir o futuro. A única maneira de controlar o futuro é construí-lo. Erraremos se esperarmos primeiro a conclusão do planejamento das nossas ações para depois operacionalizá-las. Vamos planejar, executar e controlar os resultados ao mesmo tempo, de maneira integrada.

 

Todo este processo deve ser acompanhado em equipe. Deve ser acompanhado a partir das nossas ações, avaliando-se os prazos propostos para as suas execuções e os resultados esperados quanto ao impacto nos nossos objetivos. Da mesma maneira, as estratégias quanto a sua utilização. Para um alto nível de eficiência, todo acompanhamento deve ser proativo, isto é, antecipando-se aos fatos. Assim, poderemos imediatamente aplicar uma ação corretiva quando se constatar que algo pode dar errado, principalmente quando a valorosa missão do Trabalhismo e os seus meritórios princípios estiverem a eminência de serem maculados.

 

Companheiros, não vamos mais parar. Vamos estar em permanente vigília e ação. Precisamos conhecer os adversários e os inimigos do povo brasileiro. Conhecer com profundidade o ambiente nacional e internacional onde a nossa sociedade está inserida. Identificar, com clareza, as forças, as ameaças e as fraquezas existentes. As oportunidades vamos aproveitá-las. Quanto as nossas forças, vamos condensá-las numa gigantesca força. Como se diz, o povo unido jamais será vencido. Quanto as nossas fraquezas, vamos vencê-las.

 

Para finalizar, lembramos que a decisão é nossa e de mais ninguém. A nossa participação neste momento histórico do Trabalhismo é a própria energia e a própria luz necessárias para a sobrevivência da maior e da mais extraordinária herança que recebemos dos que já passaram. Não temos o direito de renegá-la. Se esta era a nossa intenção ou se somos incompetentes para mantê-la viva, jamais deveríamos tê-la recebido. Companheiros trabalhistas, a decisão de um novo pacto partidário não pode ser retardada, pois representa a energia e o calor vivificante da extraordinária herança política que ultrapassa seus próprios criadores. Façamo-lo imediatamente. Pelo Trabalhismo. Pelo Brasil. Pelos nossos irmãos brasileiros que sofrem na exclusão. Pelos nossos filhos. Companheiros trabalhistas, bem vindos à justa luta.

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Afonso Motta

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