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CULTURA DO POVO

RESUMO DAS PROPOSTAS

1.                Oferecer  aos artistas populares oficinas sobre técnicas artísticas e movimentos artísticos.

2.                Oferecer ao estudante secundarista condições de leitura e interpretação artística pela Metodologia Triangular, segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais para as artes.

 

 Autora: Prof. Vera Maria Castilhos Cabral

Do Movimento Autenticidade Trabalhista

 

CULTURA DO POVO

 ARTE DO POVO

Há uma cultura erudita ou universitária, centrada no sistema educacional,  e uma cultura popular correspondente aos costumes e formas de expressão da população sem qualquer formação.

São exemplos das manifestações da cultura erudita: as obras literárias de Erico Verissimo ou João Simões Lopes; de pintores como de Aldo Locatelli ou Candido Portinari; de compositores como Carlos Gomes ou Vila Lobo, de arquitetos como Oscar Niemeyer e Lucio Costa entre outras.

Quanto a cultura popular adquire milhares de formas, a maior parte sem autores identificados, é o caso do frevo, da rancheira, da cavalgada, do bumba-meu-boi além dos contos, dos mitos, das lendas, dos festejos e diversões, das crendices e superstições e também da culinária, das rezas das benzeduras, do vestuário e muito mais.

Quanto ao objeto-inspiração, pintores e escultores populares desenvolvem, normalmente, a arte realista ou figurativa retratando cenas do cotidiano (o gaúcho e o mate, o nordestino a seca, flores, frutos, paisagens); na escultura modelados em diferentes materiais objetos e utensílios ordinários (instrumentos musicais, incrustações de senas do campo em cuias de mate e na cinta dos gaúchos). Outro grupo temático é a arte irreal, como o Negrinho do Pastoreio, as caretas e a literatura de cordel cujo objeto-inspiração se encontra na imaginação do artista.

O artista popular tem uma vocação natural e aprende sozinho.  Contudo o desenvolvimento artístico é o resultado de um aprendizado complexo, que não se realiza de maneira espontânea e auto-expressiva.

A Arte para o Povo, os grandes espetáculos artísticos, as exposições de pintores famosos, as festas de luzes e cores, são meios de aprimoramento cultural e satisfação da população, que os governos  promovem freqüentemente para o povo, mas raramente mostram igual interesse na elevação da Arte `Polular. Mesmo as artes do povo, com suas singularidades espertando muito  interesse nesse Mundo igual da  Globalização.

A Arte `Polular ou do povo se manifesta através do esforço individual de artistas autodidatas mesmo assim promove o País, caracteriza suas regiões e coopera com o turismo - O carnaval, as festas juninas, as músicas e danças regionais comprovam a importância da Arte do Povo.

Em países desenvolvidos a formação do artista popular é de melhor qualidade e a Arte `Polular mais elaborada.

Uma reflexão diante da Arte do Povo revela claramente que o sentido estético se manifesta de forma independente do desenvolvimento intelectual, mas o motivo inspirador do artista, sem formação adequada se fixa em objetos e sentimentos singelos demonstrando a falta de recursos e conhecimento dos movimentos artísticos. Assim, a arte espontânea, normalmente, enfoca o mais perceptível do objeto-inspiração, tornando-a monótona e sem interesse continuado.

UM PROGRAMA PARA A CULTURA DO POVO BEM SUCEDIDO

O programa de Cultura do Povo, do Governo Collares, no Estado do Rio Grande do Sul contemplava três projetos prioritários:

1.                Um Palco Móvel;

2.                As Oficinas de Arte e

3.                Os Núcleos Culturais.

 

1. PALCO MÓVEL (CARRETA DA CULTURA)

 

Nos Parâmetros Curriculares Nacionais referentes à arte, a música sempre esteve atrelada às produções culturais e às tradições de cada época, de modo que qualquer proposta de ensino deve permitir que o aluno traga a música de seu cotidiano para a escola...

Transpondo esta recomendação para a Cultura Popular surgiu na Secretaria de Cultura do Estado do Rio Grande do Sul, durante o Governo do PDT, o projeto Carreta da Cultura.

A "Carreta da Cultura" era um caminhão com um tablado (palco) acima de alto-falantes instalados na carroceria. No palco se apresentavam músicos ou eram encenadas pequenas peças de teatro. O publico assistia da rua, em torno da "Carreta".

A “Carreta da Cultura” tinha como objetivo principal a integração e a divulgação de artistas populares não profissionais. Para as apresentações em uma vila eram convidados artistas de outra vila.

Não deixa de ser, uma versão do trio elétrico nordestino com pontos de contato do que se observa em Havana onde nos restaurantes em geral apresentam-se, ao vivo, conjuntos musicais de qualidade artística compatível com o estabelecimento.

A “Carreta da Cultura”, aos sábados à tarde, era disponibilizada nas vilas para o “Baile na Rua”; aos domingos, para a criançada havia apresentação do “Teatro de Bonecos” à tarde e a apresentação de músicos amadores convidados. Impressionava a quantidade de público em todas as apresentações.

Durante o período natalino, no interior do Estado ou nas vilas da Região Metropolitana de Porto Alegre eram organizados, no palco da “Carreta”, “O NATAL NA PRAÇA” - Espetáculo Teatral Orientado por profissionais e apresentado por populares que se encarregavam também do cenário (utilizando caixas de papelão, palhas e sucata coletada no local). A acolhida da população para esses espetáculos era expressiva e a emoção dos figurantes, dos seus parentes e amigos, contagiava a todos, inclusive os técnicos da Secretaria.

 

2. OFICINAS DE ARTES

As oficinas de artes, no Governo Collares, tinham como objetivo  orientar artistas amadores em relação:

a)                As “Técnicas Artísticas” principalmente do teatro, da pintura e da escultura.

b)                A “Leitura e Interpretação Artística” através da Historia das Artes, com a contextualização das principais Escolas Clássicas e seus artistas.

As “Oficinas” funcionavam em creches, escolas e outros espaços comunitários durante o tempo ocioso da atividade principal ou em Casas de Cultura - edificações permanentes equipadas apropriadamente para o aprendizado e apresentações artísticas. Professores qualificados em cada modalidade de arte orientavam o aprendizado em cursos com duração de 60 horas/turma de 15 alunos.

As oficinas contemplavam duas frentes principais: artes visuais e teatro.

3. NÚCLEOS CULTURAIS

Para oferecer de forma tão ampla o Programa Arte do Povo, abrangendo todo o Estado do Rio Grande do Sul, foi estimulada a criação de Núcleos Culturais - associações de interesse na cultura, organizadas e vinculadas ‘a Secretaria de Cultura do Estado do Rio Grande do Sul.

Aos núcleos cabia:

a)                Fomentar as atividades culturais nos municípios em geral e nas vilas de Porto Alegre de forma especial.

b)                Elaborar projetos destinados a obter benefícios fiscais do governo federal (Lei Rouanet) buscando na comunidade os empresários interessados em transferir parte do imposto de renda para projetos culturais.

c) Posicionar a Secretaria em relação as demandas locais.

A Secretaria cabia:

a)    Organizar e Orientar os Núcleos Culturais.

b)    Disponibilizar Oficinas de Arte segunda a demanda da comunidade.

c)    Dar apoio administrativo aos Núcleos Culturais e

d)    Estimular a criação de Casas de Cultura no Município.

No Governo Collares foram criados núcleos culturais em vinte e sete municípios Gaúchos e dois em vilas de Porto Alegre.

Curiosidades:

O Núcleo Cultural da Restinga em Porto Alegre solicitou apoio  para a criação de um time de futebol.

O Núcleo Cultural de Jaguarão - Rio Grande do Sul promoveu uma reunião da Secretaria de Estado da Cultura do Rio Grande do Sul com o Ministro de Cultura do Uruguai. Entusiasmado com o projeto dos Núcleos Culturais solicitou apoio da Secretaria para a organização de Núcleos Culturais nos Departamentos Uruguaios. Efetivou-se assim um interessante projeto informal de cooperação internacional.

a)    Vereador da Cidade de Concórdia - Santa Catarina procurou a Secretaria da Cultura do Rio Grande do Sul para se inteirar a respeito dos Núcleos Culturais e solicitou oficinas para a organização do “Natal na Praça” em sua cidade. Naturalmente, a burocracia não viabilizou a demanda.

O PDT, um partido de bases populares, não pode ignorar a concepção desenvolvida para a Cultura no Governo Collares, esperando-se que a qualificação da Arte Popular como prioridade em qualquer plano de Governo do nosso Partido.

 

ENSINO DAS ARTES NO CURSO SECUNDÁRIO

A Leitura e Interpretação das artes clássicas também precisam ser melhoradas no Brasil. Observa-se nos museus, brasileiros deslizando de quadro em quadro sem interesse nas formas, nas cores, nas técnicas ou no contexto histórico. Contemplam as obras de maneira superficial. Só raramente vivenciam as tensões e as soluções que marcam o trabalho do artista. A causa, desse despreparo constrangedor é a formação oferecida pela maioria das nossas escolas.

Nas as Aulas de Artes, do segundo grau, identificam-se alunos indispostos, recusando a disciplina oferecida sem que a   Escola possa oferecer todas as modalidades de Arte. Demais, o fato social é que o brasileiro, muitas vezes, considera a Educação Artística símbolo de “status”, algo fútil, ignorando o potencial educativo das Artes na formação integral do cidadão.

Essas dificuldades não existiam somente no Brasil e foi assim que a partir de arte-educadores norte-americanos na década de 1960, novos conceitos sobre o aprendizado artístico têm se firmado de forma universa.

No Brasil dos anos 90, Nos Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino das Artes, a Metodologia Triangular, trazida dos Estados Unidos por Ana Mae Barbosa, se firmou como fundamento para ensino secundário. Contudo, em muitas escolas ainda persiste critérios obsoletos, não faltando também subversões ao Método.

A Metodologia Triangular determina o ensino das artes sob  três vertentes:

a)        O fazer artístico, que é o concreto, o atelier, a produção, a última instância para o artista.

b)        A apreciação artística pelo conhecimento dos materiais, das técnicas e soluções artísticas e

c)         A contextualização histórica da obra.

O importante na escola do segundo grau não é formar artistas e sim, proporcionar pelo ensino das artes, o desenvolvimento da imaginação e o potencial criativo, pela compreensão de que a apreensão da realidade pode ser realizada através de varias linguagens e não somente pela verbalização racional.

O PDT, um partido que tem na educação sua prioridade maior deve permanecer vigilante para que a concepção da Metodologia Triangular não seja desvirtuada nas escolas de segundo grau.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

O Partido Democrático Brasileiro deve enfatizar  a ARTE DO POVO e zelar pela adequada aplicação da METODOLOGIA TRIANGULAR no ensino das artes nos cursos secundários.

Comente:

Afonso Motta

Afonso Motta

Ciro Simoni

Ciro Simoni

Eduardo Loureiro

Eduardo Loureiro

Enio Bacci

Enio Bacci

Gilmar Sossella

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Juliana Brizola

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Marlon Santos

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Pompeo de Mattos

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Vinicius Ribeiro

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