Marlon Santos 231683 G

Deputados da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, tendo à frente o presidente Marlon Santos (PDT), entregaram ao vice-governador José Paulo Cairoli, em encontro ao final da tarde desta sexta-feira (25), na sala da presidência do Parlamento, conjunto de encaminhamentos e posicionamentos em relação ao movimento dos caminhoneiros no Estado.

A pauta foi construída em reunião prévia, convocada pelo presidente, da qual participaram os deputados Sérgio Turra, Silvana Covatti e Ernani Polo (PP), Missionário Volnei (PR), Regina Becker Fortunati e Ronaldo Santini (PTB), Gilmar Sossella (PDT) e Gabriel Souza (MDB), líder do governo Sartori na Casa.
Destacando como positiva a presença do vice-governador na Assembleia, como forma de ouvir as considerações dos deputados, Marlon Santos ressaltou a receptividade do representante do Executivo. “Em especial, frisamos a ele nosso posicionamento absolutamente contrário a qualquer forma de violência contra os caminhoneiros. Cairoli assegurou a nós, e à sociedade gaúcha, que qualquer movimento de polícia será conduzido com a maior racionalidade possível, como o momento exige”, acrescentou.
“Todos os deputados têm consciência que o Estado não deve assumir uma culpa que não é sua, de algo que teria surgido no Rio Grande do Sul. Não, a culpa é apenas do governo federal, que deixou a situação correr sem agir como deveria. O vice nos disse, ainda, que o governo do RS está solidário ao movimento”, agregou Marlon, comunicando que o Executivo gaúcho agirá mais firmemente junto à União, “uma vez que o RS tende a perder muito. Antes de agirmos hoje, por meio desta reunião, esperávamos um melhor encaminhamento em Brasília. O fato é que não foi dada a real dimensão ao movimento. Ao contrário, quiseram minimizar a situação”, sublinhou.
Cairoli igualmente disse ao grupo de deputados que levará ao governo, em reunião na manhã de sábado (26), a possibilidade de desoneração tributária da cadeia produtiva, outra solicitação dos parlamentares. “Nos disse que o governo vai propor, dentro daquilo que pode, uma forma mínima que seja de desoneração do setor produtivo como um todo”, mas não foram mencionados índices. “O fato é que o Estado caminha para um colapso em termos de arrecadação, e é preferível ceder um pouco agora do que conviver, no futuro, com situações irreversíveis, de caos”, apontou Marlon. Os parlamentares igualmente sugeriram que os caminhoneiros sejam liberados de pagamento de pedágio.
De outra parte, segundo o presidente Marlon, sempre acompanhado dos deputados, o governo solicitará ao movimento que haja uma sensibilidade maior em relação aos produtos que envolvam saúde e questões básicas da população, com a passagem de caminhões com produtos essenciais.
“Igualmente, a Assembleia solicita que haja bom senso da parte dos manifestantes, sem agressões, uma vez que isso pode acarretar reações com consequências terríveis”, sublinhou o chefe do Parlamento gaúcho. Ainda conforme ele, “os deputados entendem que o movimento já mostrou a que veio, a sua importância. Que o próprio movimento não se autodestrua por ações de violência ou irracionais, ao ponto de parar hospitais, asilos, abastecimentos essenciais, que a comunidade necessita”, ponderou.
É bem verdade que há o apoio maciço da sociedade, prosseguiu Marlon, em especial após a manifestação do presidente Temer autorizando o uso da força, “algo que chocou a população. Este apoio persiste, mas não creio que haja tolerância em relação a um desabastecimento total, comprometendo a saúde. Que os manifestantes não deixem as coisas caminharem em direções desastrosas. Este é um pedido da Assembleia”, reforçou Marlon.